FICSantarém 
FILMAR NO WARM-UP FICS

WARM-UP

FILMAR NO WARM-UP FICS

Terminámos, no passado dia 16 de março, as sessões warm-up do FICS, com o apoio fundamental do projecto FILMar, operacionalizado pela Cinemateca Portuguesa no âmbito do mecanismo de financiamento EEAGrants.

 

O projeto FILMar tem como objetivo principal dar a conhecer, da mais ampla forma, o património fílmico português relacionado com o mar. Desenvolvido em colaboração com parceiros na Noruega, Islândia e Liechtenstein, os países financiadores, pretende digitalizar dez mil minutos de filmes dos mais diferentes géneros e formatos, assegurando a sua visibilidade através de retrospetivas e ciclos, edições DVD e publicações.

A primeira sessão ocorreu no dia 10 de fevereiro com o filme O FAUNO DAS MONTANHAS, de Manuel Luíz Vieira, 1926, 40 min. 
O filme conta a história do naturalista Mr. Garton e de sua filha Jenny, hospedados num hotel do Funchal para passar parte do inverno. Ao visitarem o Rabaçal, Jenny – romântica e de pródiga fantasia – imagina que um túnel de 700 metros sob a montanha é a entrada para o inferno e o guarda das casas de abrigo um fauno. 
O filme foi apresentado em antestreia em maio de 1927, no Theatro-Circo do Funchal. 

A sessão foi musicada ao vivo, com partitura original de Manuel Brito.

No dia 17 de fevereiro deu-se o segundo warm-up, desta vez com uma dupla segunda sessão, com os filmes NAZARÉ, PRAIA DE PESCADORES, 1929, 15min, e MARIA DO MAR, 1930, 105 min, ambos de Leitão de Barros.

NAZARÉ, PRAIA DE PESCADORES ilustra a vida e hábitos dos nazarenos, os pescadores da praia da Nazaré, que se distinguem pela sua indumentária e hábitos tradicionais. O mar e o seu duro modo de vida são os temas centrais. Mostra ainda suas práticas artesanais, barcos a remos e redes de pesca, adaptadas às condições naturais de um lugar em que a vida não é fácil.

A sessão foi Musicada ao vivo, com partitura original de Filipe Raposo. MARIA DO MAR é considerada a obra prima do cinema mudo português, uma síntese local das vanguardas cinematográficas europeias dos anos 1920, combinando uma composição e montagem muito inovadoras do ponto de vista formal com um olhar etnográfico sobre a comunidade piscatória da Nazaré. A mistura equilibrada entre modernidade e tradição, assim como a fluidez entre documentário e ficção, fazem deste filme uma obra fundadora na história do cinema português e um marco do cinema mudo europeu.

O restauro digital de 2021 partiu da digitalização 4K do negativo de câmara original. Alguns planos degradados ou inexistentes no negativo, assim como todos os intertítulos, foram digitalizados a partir do interpositivo produzido em 2000. A partitura de Bernardo Sassetti foi originalmente encomendada pela Cinemateca em 1999 e gravada em 2010.

A 3ª e 4ª sessões ocorreram no dia 9 de março, com os filmes A CANÇÃO DA TERRA, 1930, 98 min, de Jorge Brum de Canto e AS ILHAS ENCANTADAS, 1965, 89 min, de Carlos Vilardebó. A trama de A CANÇÃO DA TERRA ocorre em Porto Santo, Madeira. A luta pela vida assume aspectos dolorosos com a seca, pois não chove na ilha. Gonçalves procura fugir ao infortúnio com o alento que lhe traz o amor de Bastiana, apesar da rivalidade com João Venâncio, um rico proprietário com uma nascente de água nas suas terras e que se recusa a partilhá-la com Gonçalves. A resignação e o sacrifício, a ansiedade, a paixão e o ódio, ateiam conflitos humanos sob os caprichos da natureza.

Ousado projeto de produção de Cunha Telles, AS ILHAS ENCANTADAS é a única incursão na longa-metragem de ficção do documentarista Carlos Villardebó, português fixado em França, a partir da novela homónima de Herman Melville.Um marinheiro francês chega a uma ilha que julga deserta e nela encontra uma mulher singular, solitária desde a morte do marido e irmão. Amália Rodrigues num dos seus grandes e porventura menos conhecidos papéis no cinema.

Terminámos em grande, no dia 16 de março, com uma sessão tripla, dedicada ao Ribatejo, com os filmes OS TOIROS NA FAINA AGRÍCOLA RIBATEJANA, 1939, 9 min, de Adolfo Coelho, SAL SEM MAR, 1959, 15min, de Fernando Duarte, e GENTE DA PRAIA DA VIEIRA, 1976, 61 min, de António Campos.

É de referir a importância desta sessão, pela exibição do primeiro filme do fundador do Festival Internacional de Cinema de Santarém, Fernando Duarte, contando com a acarinhada presença da sua família.

Voltar